O jogo mudou para quem investe em imóveis para curta temporada

Durante os últimos anos, muitos investidores passaram a enxergar os studios compactos como uma fórmula quase automática de rentabilidade.

A lógica parecia simples: comprar um imóvel pequeno em uma região central e operá-lo por meio de plataformas como Airbnb.

Mas em 2026, o cenário começou a mudar.

E não porque a demanda por hospedagem de curta temporada desapareceu.

O que mudou foi o ambiente regulatório e jurídico que sustenta esse modelo.

O primeiro problema: HIS e HMP

Nos últimos meses, a Prefeitura de São Paulo intensificou a fiscalização sobre unidades enquadradas como Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP).

Esses imóveis foram criados para ampliar o acesso à moradia e contam com incentivos urbanísticos específicos. Por isso, o uso para locação de curta temporada passou a ser alvo de questionamentos, investigações e notificações. A CPI da HIS vem investigando casos de comercialização e utilização irregular dessas unidades, incluindo empreendimentos onde a maior parte dos apartamentos estava sendo utilizada para aluguel por temporada.

Para investidores que compraram esses imóveis contando exclusivamente com a operação via Airbnb, o risco aumentou significativamente.

O segundo problema: a posição dos condomínios

Outro tema que vem preocupando investidores é a crescente discussão sobre a possibilidade de condomínios restringirem ou proibirem operações de curta temporada.

Em maio de 2026, uma decisão da Segunda Seção do STJ reforçou o entendimento de que estadias intermediadas por plataformas como Airbnb possuem características próprias e dependem da compatibilidade com a destinação do condomínio.

Além disso, o próprio STJ decidiu analisar a questão em regime de recurso repetitivo, o que poderá consolidar um entendimento nacional sobre o tema.

Na prática, isso significa que muitos investidores passaram a perceber que não basta comprar um imóvel em uma região turística ou próxima ao metrô.

A convenção do condomínio, o regimento interno e a posição dos condôminos passaram a ser fatores tão importantes quanto a localização.

Então o Airbnb acabou?

Na nossa visão, não.

A demanda por hospedagem de curta temporada continua existindo.

O que está acabando é a ideia de que qualquer studio em qualquer região será automaticamente um bom investimento para Airbnb.

O investidor precisa avaliar:

  • Se o imóvel está enquadrado em alguma categoria com restrições regulatórias;
  • Se a convenção e a dinâmica do condomínio favorecem esse tipo de operação;
  • Qual é o volume de concorrência na região;
  • Se existe demanda real por hospedagem temporária naquele endereço.

A principal lição para o investidor

O mercado de curta temporada está passando por um processo de profissionalização.

Durante alguns anos, bastava comprar um studio novo para acreditar que a rentabilidade viria naturalmente.

Hoje, a análise precisa ser muito mais profunda.

A localização continua importante.

Mas aspectos jurídicos, regulatórios e condominiais passaram a ter um peso que muitos investidores simplesmente ignoravam.

Por isso, antes de comprar um imóvel pensando em Airbnb, vale a pena entender não apenas o potencial de rentabilidade, mas também os riscos que podem comprometer essa estratégia no futuro.